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Os créditos iniciais de James Bond durante as déca...

Os créditos iniciais de James Bond durante as décadas

Martinis, girls and guns. Existe algo mais marcante nos filmes de James Bond do que isso? Sim. Os incríveis videoclipes que apresentam seus créditos iniciais.

Presentes desde o primeiro filme oficial da série, 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No, 1962), os vídeos são excelentes referências de design, e carregam com eles características marcantes das décadas em que foram produzidos. Mais que isso, eles incluem referências ao próprio roteiro, e definem o tom que o filme irá seguir.

Compostos em sua maioria por grandes interpretes, os vídeos são um motivo extra para se assistir a um filme de James Bond. São, de fato, espetáculos à parte. Alguns, inclusive, se tornam até mais interessantes que o próprio filme (estou olhando para você 007 –  Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, 2002)

Mas quem cria esses vídeos?

O primeiro e mais importante projetista dos créditos de James Bond foi Maurice Binder. Ele foi chamado para trabalhar nos créditos do primeiro filme e, além de projetá-los, Binder também criou a famosa sequência do cano da pistola.

jamesbond007

“That was something I did in a hurry, because I had to get to a meeting with the producers in twenty minutes. I just happened to have little white, price tag stickers and I thought I’d use them as gun shots across the screen. We’d have James Bond walk through and fire, at which point blood comes down onscreen. That was about a twenty-minute storyboard I did, and they said, ‘This looks great!'”

Binder não trabalhou nos créditos dos dois filmes seguintes da franquia, Moscou Contra 007 (From Russia with Love, 1963) e 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964), por estar ocupado com outros projetos. A função de projetista de créditos foi, então, desempenhada por Robert Brownjohn. Binder foi chamado de volta em 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1965) continuando com a série pelos vinte e quatro anos seguintes até 007 – Permissão para Matar (Licence to Kill, 1989).

Binder morreu no dia 9 de abril de 1991, em Londres, devido a um câncer de pulmão. Seu sucessor como projetista dos créditos de Bond foi Daniel Kleinman, e assim o é até hoje (com exceção do filme 007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace, 2008), assumido pelo estúdio MK12).

mauricebinder

Kleinman deu uma entrevista muita bacana de como foi a criação dos créditos de 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012), e de como ele trabalha para fazer aberturas inesquecíveis. Confira no site MovieLine.

Separei abaixo algumas sequências importantes na cronologia da franquia, tentando selecionar um filme de cada década (a exceção fica por conta da década de 60, com dois filmes selecionados).

A primeira delas é, naturalmente, a do filme 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No, 1962). Além da James Bond Theme, música composta por Monty Norman e John Barry, tocada nos demais filmes de Bond, o vídeo conta com uma sequência de bongôs e uma versão da Three Blind Mice chamada de Kingston Calypso, que representa os três assassinos contratados por Dr. No.

O vídeo conta com pontinhos coloridos dançantes e apresenta o que viria a ser uma das características mais marcantes dos créditos dos filmes do agente secreto: silhuetas de mulheres interagindo com as músicas.

A segunda sequência pertence ao filme 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964). Aqui Shirley Bassey marca sua entrada como cantora “oficial” dos créditos de Bond, voltando a emprestar sua voz para as aberturas de 007 – Os Diamantes são Eternos (Diamonds are Forever, 1971) e 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979).

O vídeo é inteiramente produzido de forma que a silhueta de Margaret Nolan apareça dourada, como se a própria tivesse sido uma das vítimas do vilão do filme. Robert Brownjohn disse que se inspirou na projeção de imagens em pessoas no cinema, conforme elas se levantam para ir embora. Ele já tinha criado algo similar em Moscou Contra 007 (From Russia with Love, 1963).

Notavelmente com uma das músicas mais reconhecidas da franquia, chegamos à próxima sequência: Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, 1973).

Gravada por Paul McCartney e seu grupo Wings pouco após o conturbado fim dos Beatles, a música foi o primeiro Rock utilizado em um filme do 007. O vídeo não deixa por menos e exibe muito fogo, caveiras e… silhuetas de mulheres dançando.

A próxima sequência é um verdadeiro marco dos anos 80. Considerado um dos piores filmes da franquia, 007 Na Mira dos Assassinos (A View to a Kill, 1985) tem sua música interpretada por Duran Duran, uma das bandas mais importantes da época.

Os créditos do filme apresentam uma versão de James Bond com direito a pirotecnia, neon, lasers, glitter, permanentes e muito som de teclado oitentista. É uma verdadeira viagem no tempo!

Chegamos então aos anos 90, década de Pierce Brosnan(?)! A sequência de 007 Contra GoldenEye (GoldenEye, 1995) foi composta por Bono Vox e The Edge e interpretada por Tina Turner.

Para criar o vídeo, o conceito utilizado por Kleinman, recém-chegado no cargo, foi utilizar a queda do comunismo na Rússia. Vários elementos relacionados à União Soviética aparecem sendo destruídos durante toda a sequência. Nenhum 3D foi machucado durante as cenas.

Por fim, temos a última releitura do personagem até então. Em 007 – Cassino Royale (Casino Royale, 2006), Kleinman nos remete aos pontinhos coloridos dançantes de Dr. No, utilizando os naipes do baralho para criar composições incríveis ao som pesado de Chris Cornell.

Tudo conspira para apresentar um novo James Bond, totalmente diferente de nossa última lembrança de Pierce Brosnan e o castelo de gelo.

http://www.youtube.com/watch?v=xkwWJo7YbFs

Para continuar a viagem pelas décadas de créditos de James Bond, sugiro que você vá aos cinemas para assistir a linda abertura de 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012).

Caso haja interesse, encontrei também um link do YouTube com todas as sequências de créditos dos filmes de James Bond, com mais de 1 hora de duração. Confira aqui.


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