Inside Alice: Madness Returns

Calm downAlice… It’s only a dream.”

Tudo começou com American McGee’s Alice.

Lançado no dia 06 de outubro do ano 2000 pela Electronic Arts e desenvolvido no mesmo ano pelo estúdio Rogue Entertainment, American McGee’s Alice apresentou algo único e inesperado. Pegando o seu público desprevenido, McGee levou Alice e sua Wonderland ao horror, transformando o belo, mágico e inexplorado em algo amaldiçoado, bizarro e violento. Houve uma ótima recepção por parte da crítica e, claramente, o mais elogiado e aclamado foi o seu aspecto visual e sua produção artística.

No dia 14 de Junho de 2011, a sequência de American McGee’s Alice foi lançada com o nome de Alice: Madness Returns pela Electronic Arts. Com uma extensa equipe de designers e artistas o novo jogo de McGee fez seu nome, sendo recebido pela crítica de forma saudosa e respeitável, recebendo inúmeros elogios em relação à sua integridade artística e sua direção criativa. Também ganhou o prêmio de melhor direção artística pela Gamespot no ano de 2011, pela Editor’s Choice e pela Reader’s Choice.

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 Alice: Madness Returns possui uma equipe artística extremamente forte. Sob a direção de American McGee, ilustradores como Luis Melo, Emmanuel Mallin, Nako, Tyler Lockett, Norm Felchle, Yuan Shaofang, Sun GuoLiang e outros transformaram a harmoniosa narrativa visual presente no novel de Lewis Carroll em um verdadeiro pesadelo, expressando, fielmente, toda a incrível e complexa narrativa adaptada em elementos e características visuais.

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Um dos principais problemas iniciais na produção artística geral do jogo foi a integridade da equipe. Mesmo possuindo seu predecessor como ponto de partida e referência principal, o conceito visual geral não deixou de ser complexo. Desta forma, foram feitas algumas ilustrações “bases” que serviram como ilustrações referenciais para a própria equipe, possuindo o exato grau de balanceamento entre determinados elementos presentes na temática geral do jogo, como níveis de fantasia e surrealismo, e entre elementos técnicos de produção, como contraste, cor e saturação. Tais ilustrações foram chamadas pela equipe de “Key Direction”.

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Ambientado em Londres no século XIX, no ápice da revolução industrial, toda a direção artística e criativa de Alice: Madness Returns é centrada em sua narrativa. Buscando o visionário e o belo para a época, McGee elaborou uma espécie de ligação entre as artes vitorianas, que marcaram essa época, com o steampunk, um subgênero de ficção científica recente que tem sua base voltada para as revoluções industriais européias.

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Todos os levels do jogo foram pensados para que criassem um contraste entre o lugar atual de Alice, Londres, e o lugar da mente de Alice, Wonderland. Londres foi recriada sob uma paleta de saturação mínima, apresentando uma ambientação mais acinzentada, extremamente sombria, arenosa e poluída. Wonderland foi recriada com cores extremamente saturadas e vivas, com iluminação suave e sombras fortes.

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 McGee também apresentou um conceito diferente à respeito de uma ambientação mais centrada no mundo sob a perspectiva de Alice. Uma perspectiva abalada, jogada aos traumas e mergulhada no desespero. Uma perspectiva que encara pessoas com características muito fortes, grotescas e caricatas, fazendo assim uma aproximação de características de animais considerados “pútridos” para a época, como sapos, ratos e porcos. Uma perspectiva extremamente destoada da realidade e tendida à loucura, tendo seus pesadelos, seus medos, suas memórias e até mesmo sua própria doença traduzidos como elementos de cenário e até mesmo como personagens.

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O ponto principal na produção visual de Alice: Madness Returns foi o uso de referências artísticas que buscam testar a observação do diletante ou o uso do “não real” e a aplicação de aspectos sensíveis. Um exemplo é o constante uso de vanguardas artísticas, como o surrealismo, impressionismo, futurismo e até mesmo a colagem (no caso, digital) para traduzir toda a atmosfera presente na narrativa em unidade gráfica. Há também o uso da elementos particulares de determinados artistas que, também, buscam esse mesmo ideal, como o uso dos fundamentos e princípios presentes nas artes de M. C. Escher na diagramação e no visual de específicos levels, ou a constante referência ao artista Zdzisław Beksiński na ambientação mais sombria de Wonderland.

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Trabalhando em uma direção mais específica, houve também uma pesquisa com uma maior amplitude, buscando, no geral, trabalhos, artistas e referências que exemplificassem melhor uma ocorrência, uma situação ou até um sentimento que quisessem passar ao jogador. Como, por exemplo, fora a arquitetura gótica com o intuito de expressar reinados opressores e obscuros. Para o level destinado à infância de Alice, com inúmeras bonecas de porcelana e antigos brinquedos, foram esmiuçadas referências como a revista Hi-Fructose e as ilustrações de Mark Ryden. Já para o desenvolvimento da própria Alice, no intuito de produzir um balanceamento entre sua loucura, sua infância traumática e sua “falsa” inocência e, também, no intuito de apresentar a sua idade sob características delicadas, fora usado o misterioso trabalho de Gottfried Hellwein. Também usaram elementos temáticos de filmes e quadrinhos, como A Clockwork Orange de Stanley Kubrick, The NeverEnding Story de Wolfgang Petersen, Akira de Katsuhiro Otomo, e Corpse Bride de Tim Burton.

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A preservação de características marcantes do novel original da Alice foi extremamente importante, tanto para presar a identidade do novel quanto para produzir uma melhor adaptação. Devido a isso, por exemplo, existe um alto número de relógios perdidos por todos o cenário. Sendo específico em personagens, o famoso Dormouse, por exemplo, foi adaptado levando em consideração o seu problema com sono, sendo desenvolvido com uma corda de relógio nas costas e com determinados equipamentos para que o mesmo não consiga fechar os olhos.

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Infelizmente, devido ao prazo que o estúdio Spicy Horse tinha a cumprir com a Electronic Arts, inúmeros trabalhos foram cortados do projeto final, como um level inteiro voltando ao artista M. C. Escher e um level na lua.

Alice: Madness Returns está a venda pela Steam e o seu artbook pela Amazon.com.


  1. Letícia

    28 maio

    Perfeito! O Jogo, as concept arts, a direção, o roteiro do jogo, a trilha sonora!!

  2. Amanda

    4 novembro

    Incríveis imagens

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