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A herança da pintura contribuindo com o cinema

É de fundamental importância a observância da influência da arte pictórica sob a arte cinematográfica para o bom aprimoramento de um Diretor de Arte. Por vezes são estes repertórios, agregados durante a profissão, que permitem ao Diretor de Arte ter um know-how que lhe proporcione insights que solucionam problemas até mesmo da própria narrativa fílmica. Engana-se aquele que pensa que Direção de Arte é meramente pensar em uma bonita cenografia, figurino e maquiagem, se assim o fosse teríamos no cinema a reprodução do que observamos na televisão (onde a demanda de gravações para compor a grade de programação é intensa e impossibilita maior profundidade no campo da pesquisa de arte).

Podemos pensar em filmes do circuito comercial ou alternativo (como os chamados filmes independentes). Em ambos os casos poderemos observar a contribuição da arte da pintura para todas as áreas do filme. Nos filmes blockbusters o apelo artístico se encontra muitas vezes nos efeitos especiais que cativam o publico pelos impactos visuais de imagens fantásticas, mas que do mesmo modo dependem do empenho de uma equipe de produção cinematográfica em convergir suas diretrizes para um objetivo comum: O FILME.

No filme O Senhor dos Anéis : a Sociedade do Anel (JACKSON, Peter. 2001) observamos todo um universo materializado pela equipe de arte e muitíssimo valorizado pelo trabalho em comum de todas as áreas do filme alcançando o objetivo da direção do filme. Criar um mundo fantástico é muito difícil ainda mais para convencer um público cada vez mais sedento por imagens perfeitas, imagine o desafio antes de 2001 durante a produção deste filme?

No livro Lendo as Imagens do Cinema (JULLIER, Laurent; MARIE, Michel. São Paulo: SENAC, 2009), encontramos comparativos interessantes de arte e sequências deste filme correlacionadas a obras de pinturas de grandes mestres.

Um exemplo é o visual da personagem Arwen que possui a aparência de uma deusa das pinturas da arte pompier da metade do século XIX (John William Waterhouse, The Lady of Shalott, 1888. Tate Collection).

The Lady of Shalott 1888 by John William Waterhouse 1849-1917

Alguns planos da sequencia da figura abaixo lembram paisagens do pintor simbolista Gustave Moreau (exemplo: O Triunfo de Alexandre, o Grande, 1890).

arwenaragorn

O Triunfo de Alexandre, o Grande, 1890 (Gustave Moreau)

Destaco aqui a frase de Peter Jackson citada no livro e que vem ao encontro de nossa reflexão:

“Ser moderno, escreveu ele, não consiste em buscar alguma coisa fora de tudo o que foi feito. Trata-se, ao contrário, de coordenar tudo o que as épocas precedentes nos trouxeram para mostrar como nosso século aceitou esta herança e como ele a usa.”

Em um filme de um circuito fora o eixo Hollywoodiano como o iraniano Filhos do Paraíso (MAJIDI, Majid. 1997) observamos imagens simples e belíssimas na representação do universo infantil. Ali (Amir Farrokh Hashemian) é um menino de 9 anos proveniente de uma família humilde e que vive com seus pais e sua irmã, Zahra (Bahare Seddiqi). Um dia ele perde o único par de sapatos da irmã e, tentando evitar a bronca dos pais, passa a dividir seu próprio par de sapatos com ela, com ambos revezando-o.

Enquanto isso, Ali treina para obter uma boa colocação em uma corrida que será realizada, pois um dos prêmios pela corrida é um par de sapatos.

O sapato em questão é o objeto chave do enredo e que pode ter guiado a Direção de Arte em suas decisões estéticas.

sapatos

A história das crianças em sua realidade cotidiana, humilde e com limitações é simplesmente encantadora. A narrativa constrói o universo de Ali e Zahra fazendo com que o espectador mergulhe junto com eles, entendendo e partilhando das mesmas dúvidas e angústias provenientes dos simples problemas que ambos enfrentam que, fora desse contexto, poderiam ser considerados banais. No entanto o espectador passa a ver junto com os personagens como se fosse um grande prova.

Todas as locações escolhidas, cenografadas contribuem para receber os atores e dar veracidade à trama ao passo que todas as decisões estéticas do Diretor de Arte de nada valeriam se o fotógrafo não soubesse iluminar toda esta arte eternizando-a na imagem.

children

Em síntese, cada área em isolado com um ótimo desempenho de nada valeria em um filme no qual não captamos a harmonia do todo. Filmes são obras coletivas na qual o diálogo entre os chefes de equipe é fundamental para um resultado que beneficie a todos e principalmente a história e, consequentemente, ao público.

Publicitário com experiência de 10 anos em Comunicação e Marketing, atuando com foco nas áreas de Criação, Inovação e Design para o mercado de Jogos e Entretenimento. Experiência complementar em Desenvolvimento de Produtos e Marketing Digital. Graduado em Comunicação Social com MBA em Marketing pela ESPM. Vasto conhecimento do mercado de Jogos e Entretenimento e entendimento do comportamento do consumidor infantil e do jogador.