Compartilho, logo existo

A internet mudou o nosso mundo. Não adianta negar, se debater ou se fingir de Alexander Supertramp do “Into the Wild”. Ela chegou para ficar e já não é possível viver sem ela. Claro, que estamos nos referindo a pessoas com vida profissional e social ativas, e não a sua querida vovó. Se alguém aí ainda vive sem Internet deixe sua reclamação no box abaixo.

A internet entrou em nossas vidas e a cada dia mais ocupa uma grande parcela do nosso tempo. Ela é o nosso “querido diário” e o nosso portfolio ao mesmo tempo. Recheada de profetas e de reclamões, ela define o “zeitgeist” em que vivemos, como uma cobertura jornalística ao vivo, e com comentários MUITO mais interessantes que o do Arnaldo Cesar Coelho. Um filósofo 2.0 ousaria bradar: Compartilho, logo existo.

Ciente que esta branda inclusão no mundo digital traz também os seus Profetas de Blog, é necessário muito cuidado antes de buscar suas referências no Wikipedia em uma profunda discussão de buteco. Ou no trabalho da faculdade. Ao mesmo tempo que a internet é recheada de informações interessantíssimas, ela ainda é uma faca de dois legumes.

Há quem diga que alguns sites revolucionaram a Internet. Me recuso a citar nomes, porque vivemos numa época de ânimos exaltados onde andam xingando muito no twitter mas a verdadeira questão é; quem forma o conteúdo destes sites? Se já não possuímos o controle sobre a programação na televisão, a Internet é o espelho da nossa geração, para bem ou para o mal. Não adianta reclamar da falta de conteúdo se você clica pra ver semi-sub-celebridades de biquini na praia, numa terça feira nublada. Aqui não tem choradeira, o seu browser history é o seu pior inimigo.

Essa maldita rede tem a habilidade de nos entreter melhor que um frango de padaria o faz a um cachorro mas, engana-se bem quem acha que só de memes inúteis vivem os internautas. Finalmente, temos acesso ilimitado a qualquer informação no mundo, claro, proporcionalmente aos seus conhecimentos em código. Está tudo aqui, só não pesquisa quem não quer. Cabe a você fazer um bom uso destas ferramentas às suas mãos. Segundo o Google Maps, a era em que nos encontramos não possui mais fronteiras geográficas, barreiras linguísticas e nem desculpas esfarrapadas. Se você tem uma ideia brilhante e boa vontade, tudo é possível. Esta nova realidade permite que simples ideias tomem proporções GIGANTESCAS quando compartilhadas. Para isto, só precisamos que algum louco do outro lado do mundo acredite.

Apesar de tudo, a internet não é lá este paraíso tropical. O livre compartilhamento de ideias e informações também nos deixa vulneráveis e nos expõe à inúmeras informações equivocadas. Justamente por ser acessível à todos, sites colaborativos se tornam um poço de cacofonias onde todo colaborador é vencedor de Pulitzer. Mas, porque tanto acessamos estes sites e pior, porque colaboramos? Os melhores sites da atualidade são nada mais do que plataformas de interação de usuários e isso sem falar nas redes sociais. Nenhuma informação “oficial” importa mais. O Youtube é, por designação, um excelente player, mas também é um ótimo fórum de músicas, vídeos, tutoriais e criatividade em geral. Ao mesmo tempo, sites de crowdfunding continuam sendo ótimas fontes de inspiração e aprendizado para novos empreendedores enquanto Instagram continua sendo mais colo do que ir a uma exposição de fotos profissionais.

Mas, vamos ao que interessa. Como explicar fenômenos de acesso como Tumblr, InPrint e DeviantArt e todo o tipo de colaboração que rola no nosso meio artístico? Como entender o que passa na cabeça de um Diretor de Arte que colabora com um designer do outro lado do mundo sem cobrar um centavo? Porque trocamos copos de cerveja com os amigos por copos de café, afim de terminar uma ilustração que nunca vai ser vendida? Como explicar porque co-autores se tornam sócios tão confiáveis, mesmo sem se conhecerem pessoalmente? Psicologicamente falando, este elo formado pela colaboração é o mesmo que sentiríamos se fôssemos campeões em um torneio de futebol. Como geralmente Diretor de Arte e designer não joga nada, achamos a nossa válvula de escape. É o que nos faz seguir em frente nessa vida de escravos de briefing.

Desde que o 9Gag se tornou um pouco mais interessante do que o Zorra Total, foi criado um cordão umbilical cibernético, mesmo estando separados por IP’s diferentes e quilômetros de distância. Afinal, o que todos os sites mencionados possuem em comum? Nós. Neste mundo físico onde não temos mais poder de decisão sobre nada, o que nos conforta é saber que fazemos parte de algo maior. Não somos mais espectadores. Agora quem dá as cartas somos nós.

Este texto é uma breve análise sobre o livro “We-think: the power of mass creativity – what do you think?”

Veja o artigo completo sobre o livro do autor Charlie Leadbeaterhttp://www.wethinkthebook.net/home.aspx


  1. amanda

    2 novembro

    Gostei do texto… me fez pensar! Porém as gírias em inglês presente nele não me ajudou muito em alguns momentos rsrs

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